Reciclagem de sacos de cimento

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Após o uso do cimento em construções, grande parte dos sacos do produto é descartada. Para evitar o desperdício, Márcio Albuquerque Buson, professor da faculdade de arquitetura da Universidade de Brasília (UnB), desenvolveu um tijolo ecológico composto por terra, cimento e o papel utilizado em suas embalagens, o papel kraft. A nova técnica reduz o preço dos tijolos em 40% quando comparado aos convencionais blocos de terra compactados de solo e cimento. O novo tijolo também é mais barato que o de cerâmica, feito à base de argila queimada, mas sem uso de cimento.

Há um tratamento de reciclagem nos sacos de cimento antes de sua utilização nos tijolos. A embalagem vazia é colocada na água para que as fibras do papel se soltem, dando origem a uma “polpa de celulose”. O excesso de umidade é retirado por meio de centrífugas ou torção e, após isso, as fibras soltas são trituradas para que a terra e o cimento sejam adicionados à mistura.

Uma das vantagens do Krafterra, como é denominado o novo tijolo, é que o processo de queima para seu endurecimento, habitual nos de cerâmica, é dispensado. Nas etapas finais de sua fabricação, a mistura é prensada e permanece inerte, protegida do sol e com a umidade controlada, durante aproximadamente duas semanas - é o chamado período de “cura” -, tempo necessário para que o tijolo adquira consistência. “A água não pode sair rapidamente porque é ela que faz o material endurecer sem que ocorra uma retração excessiva”, diz o professor.

Na produção do tijolo ecológico, para cada saco de cimento são utilizados em média oito de terra. Na composição final do tijolo de bloco de terra compactado feito da maneira convencional, 12% são de  cimento. No Krafterra, a fatia composta pelo cimento é de 6%. Assim, os 6% restantes são da fibra do saco de cimento reciclado. "Consegui baixar a proporção pela metade, sem nenhum prejuízo na resistência do produto”, diz Buson.

As fibras do papel são longas e, quando misturadas aos outros materiais, dão boa resistência mecânica e física ao produto. Os testes realizados em laboratório provaram que o Krafterra é resistente ao fogo e tem boa durabilidade.

O produto ainda não é encontrado no mercado, mas o professor é otimista. “Tudo o que fiz foi em laboratório, mas os resultados foram positivos. Preciso agora realizar um protótipo físico, uma construção utilizando a nova técnica”, diz.

Sem gases poluentes
Os tradicionais tijolos de cerâmica enfrentam críticas ambientais porque seu processo de queima emite gases poluentes. Roberto Cláudio Pereira, diretor da empresa Tijol-Eco, explica que o diferencial desses tijolos está na produção e ressalta que o mercado dos produtos sustentáveis irá crescer em grande escala. “Os tijolos ecológicos irão substituir a antiga alvenaria. São vantajosos porque não usam o processo de queima e ficam em torno de 40% a 50% mais baratos do que os tradicionais de cerâmica”, diz.

O tijolo ecológico, que está em fase de testes, ainda não tem potencial para substituir as versões mais tradicionais, mas, com a indústria da construção civil em alta, o mercado é promissor. Segundo a Associação Nacional da Indústria Cerâmica (Anicer), existem no País 3,6 mil empresas fabricantes de tijolos e blocos. O setor tem faturamento anual de R$ 6 bilhões, de acordo com a entidade.

Versão ecológica de tijolo é 40% mais barata do que as tradicionais de bloco de terra compactado

Fonte: IG